domingo, 25 de outubro de 2026

A ajuda grátis

Não lembro o ano, meu pai tinha loja de móveis, na 24 de outubro e já pensava em trocar de área. Ele já tinha transitado por várias atividades, uma delas é a fábrica de TV. Isso mesmo, ele comprou a marca Colorado RQ, a primeira TV a cores do Brasil. Depois crio um post sobre esse assunto, contado por ele.
E com essa proximidade a eletrodomésticos, na época, o grande boom da linha branca eram os Tanquinhos. Maquinas de lavar roupa de mecanismo simples que 'faz o grosso' da lavanderia. 
Meu pai já pensava em fechar a loja e me incubiu de fazer os tanquinhos. Peguei um projeto totalmente inviável, apesar de ser sustentável e de reaproveitamento de material considerado sucata pela indústria metalúrgica. Pretendia usar retalho de chapas lisas e dobradas. O que se mostrou um desafio técnico e estético. Desafio foi pouco, ficou horrível. Como eu nao tinha ferramentas, pega emprestado do Willian, filho falecido do mecânico Amarante. Que a muito contragosto emprestava as suas ferramentas, eu tinha um contraponto gigantesco, meu outro vizinho Etevaldo. Esse senhor tinha uma metalurgica completa, fabricava guindastes para caminhões, com uma torneadora completaça. Seu filho André o ajudava nesse tempo. Pessoas boníssimas. Etevaldo me ajudou bastante, me emprestando ferramentas, botijão de gás oxigênio, me ensinou a soldar com eletrodos, mig e até mesmo com carbureto. Solda a carbureto, vc precisa de um cilindro ermetico, onde vc coloca pedras de carbureto em água que gera o gás, responsável pela chama que faz a solda. O projeto do tanquinho era de uma estrutura de cantoneiras, sobra de produção da Ferrobraz e chapas de aço arrebatadas. Totalmente uma furada. Seu Etevaldo me falou, porque usar essa estrutura se vc pode encomendar as chapas cortadas e dobradas diretamente da Ferrobraz e só pontear (soldar) a emenda. A ideia de mudou tudo! Ficou esteticamente lindo, funcional, rápido e efetivo. O tanque, onde vai a água para bater a roupa nos fazíamos de fibra de vidro. Dava uma trabalheira danada, Etevaldo me falou que uma adaptação para a furadeira que transformava em máquina de pulverizar a fibra de vidro na forma. Assim fui rompendo. Desde a estrutura, fábricação, pintura e montagem, teve o dedo do Etevaldo. Considero que ele teve sabedoria e paciência para me ajudar. Em contrapartida, meu pai só trazia ideia vazia e críticas. Acho que ele vivia um período conturbado, que apos 30 e tantos anos não passou. 
Hoje, 25/10/26 perdemos o Etevaldo. Foi-se um homem bom. Sou muito grato ao Tetê e a Lurdinha por todo ensinamento. Etevaldo, vulgo Tetê tinha sua mesa cativa no boteco da esquina. Vai-se um bom homem, muito obrigado Etevaldo por tudo. Deus o recebe em seus braços nesse instante. Muito a falar sobre Etevaldo, quem sabe num próximo post. 

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